O que entrelaça (n)a grupanálise: reflexões sobre a (inter)corporeidade na situação grupanalítica
DOI:
https://doi.org/10.32467/issn.1982-1492v23na11Palavras-chave:
Psicanálise, grupoResumo
Partindo do conceito de matriz grupanalítica elaborado originalmente por Cortesão (2008), é proposta uma reflexão sobre a dimensão da intercorporeidade na situação grupanalítica. A crítica de Merleau-Ponty ao dualismo cartesiano amplia a possibilidade de compreensão do homem como unidade psicofísica, cuja consciência é encarnada. O conceito de quiasma, apresentado em O visível e o invisível (2019), dissolve fronteiras rígidas entre o eu e o outro, estabelecendo a intersubjetividade primariamente através da intercorporeidade. Este paradigma desafia o "mito da mente isolada", orientando-se para uma psicanálise pós-cartesiana (Stolorow & Atwood, 2019) que define a mente como um sistema intersubjetivo corporizado. Argumenta-se que a situação grupanalítica decorre num campo intercorporal vivo e dinâmico, onde até a linguagem é concebida como um "gesticular com palavras" (Fuchs, 2016). Neste setting, a mudança terapêutica emerge deste entrelaçamento, ativada também pelo saber relacional implícito (Stern, 2007) e sendo reconfigurada por momentos de encontro. A Escola Portuguesa de Grupanálise tem vindo a integrar importantes contributos que permitem ampliar o seu alcance teórico e técnico. Assim, evidencia-se que a matriz grupanalítica se torna quiasma de presenças ou espaço potencial que recupera o self e o outro na sua alteridade, combatendo o desaparecimento do outro (Han, 2024).
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